sábado, 21 de maio de 2016

Crônica  
O idioma ”brasileiro”

Há exatos três anos passados, o Brasil assinava um acordo ortográfico que ainda hoje vem atrapalhando a vida de muita gente, inclusive a minha que ainda alcancei a palavra farmácia ser escrita com "ph".  Galera, não há como legislar a linguagem pelo simples fato de ser ela propriedade exclusiva do povo, mesmo anuindo que, de quando em vez, há-de, em certas ocasiões, usarmos a chamada "norma culta".
No início da colonização do nosso país, o idioma mais usado era, naturalmente, o usado pelos silvícolas.  Temos, em assim sendo, várias palavras indígenas em nosso vocabulário. Tivemos, também, a influência francesa e espanhola. O meu nome, por exemplo é de origem espanhola, Heribaldo, (o desbravador) de um amigo do meu pai e naturalmente aportuguesado. Temos, ainda, de origem espanhola, o dibujo, (copiar um desenho com carbono) que ninguém mais usa. Hoje fala-se em xérox, dowloads, ninguém mais apaga, deleta-se e o velho português dos nossos avós portugueses vai-se distanciando cada vez mais,
Anotei algumas palavras que se diz comumente em Portugal e que por aqui tem outro significado, Quando uma imagem de televisão fica congelada, por lá se diz "paralítica", o cobrador do ônibus (naturalmente por pegar as passagens e furá-las) é chamado de "Pica", ganhar dinheiro é dito como "encher o saco", garotos e adolescentes são os "putos", "pegar uma bicha" não é o que você está pensando, é pegar uma fila. Agora, mano velho, se você for para Portugal e encontrar uma chance de ganhar algum dinheiro, jamais diga que vai fazer um bico, porque "fazer um bico" é fazer sexo oral.
O idioma "brasileiro" foi e está sendo enriquecido pelos adágios,bordões (hoje se diz meme). O cachoeirano Augusto de Azevêdo Luz (1897-1951) (foto), publicou parte do seu pretenso livro a que deu o nome de "Adagiário Brasileiro" , semanalmente, em "O Pequeno Jornal".
Falando-se da "norma culta", o ex-presidente Jânio Quadros (foto) que renunciou à presidência da República alegando "forças ocultas", cravou o famoso "fí-lo porque qui-lo!" Gostava do "dar-te-ei" e "ve-lo-ei" mas,certa feita ele extrapolou quando perguntado por uma repórter sobre o seu gosto pela bebida - "Bebo-o porque é líquido, se fosse sólido, comê-lo-ia!"
No discurso de posse de Michel Temer, o presidente em exercício utilizou-se do mesmo recurso elegante ao dizer "sê-lo~ei pela minha formação democrática..."  Sua Excelência fez uso de uma mesóclise, ou seja, a intercalação  de um pronome átono em um verbo. Nesse aspecto, muito melhor do que os famosos discursos da presidente afastada.




Nenhum comentário:

Postar um comentário